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As dicas da Ba

Um blog 360º com dicas e sugestões para as diferentes áreas da vida.

TV: As 15 coisas que os meus filhos nunca vão perceber

Ba 07.05.15

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A caixinha mágica. Essa maravilha que mudou o nosso tempo (meu, pelo menos). Que me fazia sonhar, conhecer o mundo, numa altura ainda muito longe de se pensar sequer em Internet, quanto mais Youtube, Facebook, etc...

 

Entre os chutos na bola no recreio, o jogar ao berlinde, à macaca, às corridas de carrinhos, ao elástico, ao mata, ao arco, trocar folhas de cheiro, cromos, ou mesmo saltar ao eixo (agora que penso, tantas brincadeiras que tínhamos... apanhada, piolho, barra,macaquinho do chinês, etc etc etc - Caso se lembrem de mais digam!), era na televisão que descobríamos outras coisas novas.

 

No outro dia estava o meu filho a ver um dos muitos canais "exclusivos" de desenhos animados, eu chamei-o para jantar e não veio logo porque estava a ver não sei o quê. Foi então que pensei "este miúdo não tem mesmo noção do que era no meu tempo. A esta hora eu nem perdia tempo a ver televisão porque o que dava só interessava aos pais".

 

Num exercício de memória percebi que existem um conjunto de situações que os meus filhos nunca saberão o que foi viver, no que diz respeito à relação com a televisão. 

 

Assim sendo, aqui ficam "as coisas que os meus filhos nunca vão saber (ou compreender)" da TV....

 

1) Que era possível ver televisão a preto e branco. O Mickey tinha várias tonalidades de preto e cinzento até "a caixa mágica" a cores entrar na nossa vida. E era na mesma emocionante!

 

2) Que houve um tempo em que não havia comandos de televisão. Portanto sempre que queríamos mudar de canal, ou ajustar o volume, tínhamos mesmo de nos levantar e ir ao "televisor" carregar nos botões. Lembro-me bem que o "comando" preferido do meu avô era eu!

 

3) Que no Inverno (ou simplesmente quando havia muito vento) tínhamos quase de subir ao telhado da casa para ajeitar a antena para o canal não "dar com chuva". "Está bom assim?", lembro-me de o meu avô perguntar. E eu respondia: "Sim, não...espera. Há bocado estava bem. Pááááraaaa...não mexas mais! Assim está bom!" Toda uma animação só por causa da antena.

 

4) Que estavamos nós a ver o Canal 1 e quando começava um novo programa no Canal 2 piscavam duas cruzes no canto superior direito. E assim ficávamos a saber que estava a começar algo novo no outro canal. E o mesmo acontecia ao contrário

 

5) Que era possível viver com dois canais. Essa coisa de 50, e 100 canais só para quem tinha parabólica. 

 

6) Que a emissão fechava. Sim, fechava! Não havia cá 24 horas por dia a dar coisas na TV. Com direito a hino e tudo. Seguido de "Piiiiiiiiiiiiiiiiii" (e bem irritante que era aquele som) e ficava a imagem que aparece em cima.

 

7) Havia horário para ver desenhos animados. Nada de canais a darem a toda a hora "bonecos". Por exemplo: o Agora Escolha, à tarde na RTP 2, com a Vera Roquete (e quantas vezes liguei às escondidas para votar nas "Aventuras do Tom Sawyer" ou "As Aventuras do Bocas"); e ao fim de semana de manhã. Fora disso os pais é que mandavam e nós ou íamos brincar para o quarto ou para a rua. 

 

8) Que os telejornais podiam durar 30 minutos e resumir o essencial.

 

9) Que ao domingo antes da hora de almoço era um período sagrado: ver Fórmula 1! Sim, ficavamos mesmo ali a ver carros às voltas. Eu ficava a ver o Ayrton Senna (desde que morreu nunca mais vi F1).

 

10) Que impreterivelmente depois de dar o "Vitinho" era hora de ir para a cama. Não havia mas, nem meio mas. E tenho ideia de ser por volta das 20h30 (alguém que me ajude nesta memória).

 

11) Que quando apareceu a TV privada parecia que tínhamos entrado numa nova galáxia. Todo um mundo novo. Acordávamos de manhã cedo para ver a emissão a abrir e até cantávamos o hino. Lembro-me lindamente do da SIC, cuja parte final era épica "Não serei eu, mas tu; a tua garra, o teu despertar que vai dar lugar, enfim, à SIC ... de todos nós. Não serei eu, nem tu, seremos nós a sua televisão independente...SIC... SIC... SIC...."

 

12) As televendas afinal podiam ser algo magnífico (agora já não são). Para não fechar a emissão a madrugada era invadida por televendas. E bastava deitar-me um pouco mais tarde para ficar presa a toda uma parafernália de objetos que eu achava serem magníficos, úteis e super necessários (quando na maioria das vezes não o eram). Aquilo eram "coisas que se vendiam na América" (Sim, filhos, essa coisa de dizer 'States' é uma maneira 'cool' do vosso tempo).

 

13) Que a família reunia-se toda para ver programas de televisão. Não havia cá cada um no seu quarto. Fosse o 1,2,3... ou mesmo jogar à Casa Cheia. Lembro-me que a revista custava 100 escudos. Havia um concorrente mas também se jogava em casa simultaneamente. Basicamente era um bingo à distância! Uma loucura!

 

14) Que não dava para parar a emissão. Se queríamos ir à casa de banho ou esperávamos pelo intervalo ou podíamos perder aquela cena magnífica ou mesmo um golo do nosso clube.

 

15) Gravar programas só era possível mais tarde, e para quem tinha gravador de vídeo (e cassetes disponíveis). Às vezes gravavam-se tantas vezes por cima que se misturavam filmes com desenhos animados, concursos e músicas.

 

E muito mais haveria por dizer. Lembram deste tempo? E lembram-se de mais coisas? Partilhem!

 

A malta mais nova que está a ler isto agora deve achar que vivíamos mesmo na Idade da Pedra. Vintage, é o que é. Somos Vintage! :)

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